Domingo é Dia das Mães, e Jeane Pupo estará na torcida pelo filho, Miguel, que disputa mais uma etapa do WCT, no Rio de Janeiro. Roendo as unhas? Talvez não. É que a Mamãe Pupo já está acostumada com competições. O marido, Wagner, era profissional no passado e, agora, são os três filhos (além de Miguel e Samuel, Dominik também é surfista) que encaram o esporte como profissão.

Jeane assumiu o papel de mãe como ninguém. Cuida da família com máxima dedicação e ainda tem tempo para pegar umas ondinhas de vez em quando. E é através dela que fica a nossa homenagem a todas as mães pelo seu dia.

Confira a entrevista exclusiva com a Mamãe Pupo, que abriu o coração para a Hurley:

Qual a primeira lembrança que você tem do Miguel e do Samuel em relação ao surf?
Em relação ao surf, a minha lembrança são as viagens longas, principalmente para o Sul, como Florianópolis. Tinham muitos campeonatos do Wagner (o pai dos meninos). Enchíamos o porta-malas do carro e embarcávamos nessa longa viagem. Eles sempre dormiam muito e nunca tiveram frescura. Quando chegavam ao campeonato, era só alegria, brincavam no palanque e divertiam os atletas.

Desde pequenos, eles queriam ser surfistas profissionais?
A relação deles com a competição sempre foi muito próxima, sempre fomos muito unidos e, mesmo com as dificuldades, o Wagner levava todo mundo. Então, essa admiração pelo surf de competição corria nas veias desde muito pequenos.

Os presentes de Natal e Dia da Criança eram todos relacionados ao surf?
Não. Apesar de viverem nesse mundo do surf, eles eram crianças normais. O Miguel gostava dos Power Rangers, uns bonecos de luta, e também dos Cavaleiros do Zodíaco. Já o Samuca gostava do Buz, um robô que tinha o amigo Wood.

Você lembra alguma história especial do Miguel e do Samuel quando pequenos em relação ao surf?
Ambos começaram mesmo no skate. Eram fissurados. Ainda usando fralda, na faixa de um ano e meio, eles quebravam. Morávamos em uma casa no morro, e o Miguel com um shape de skate, descia a ladeira deslizando e falando que estava surfando. O Samuca, lógico, imitava tudo. As brincadeiras eram sempre assim, ou então faziam baterias de skate, dando nomes de competidores e simulando o surf. Ah, detalhe: um andava, outro dava as notas. Assim, tinha sempre um campeão.

Quais as principais diferenças entre o Miguel e o Samuel?
Miguel, garoto calmo, mas muito extrovertido e sorridente, sempre simpático com qualquer pessoa. Bom até demais, tem muita compaixão e se comove com a situação do outro. Sempre amou ir à escola e ter uma vida de amigos normais, se formou e sentiu muito quando acabou, pois era ali que ele voltava ao planeta Terra.
Samuel, garoto calmo, não de muito papo. As pessoas falam “oi”, ele responde “oi”. Não fala com todo mundo, não. É meio marrento na água e não de muitos sorrisos, principalmente com quem ele não conhece. Não tão bonzinho e não abre mão das suas coisas para dar para os outros. Escola, se pudesse, nem aparecia, mas já que tem que ir, se dedica para não ficar atrás dos outros. Por ele, só vivia no mundo da lua, surfando, claro.
Mas ambos têm algo em comum: muito carinhosos e gostam de colo, beijos e abraços, e adoram ficar em casa comendo e assistindo à televisão.

Qual a característica mais forte de cada um?
Miguel, apesar de ser mais na dele, não é tão obediente ao pai nas competições. Às vezes, faz o que quer e paga para ver. Samuel é obediente ao pai, e tanto, que paga para ver também. (Risos)

Eles têm algum hábito ou mania que só uma mãe sabe identificar?
Sim, organização. Dependendo da bagunça, eu sei dizer quem foi, principalmente em relação a pranchas, adesivos, artes e pinturas em prancha. Miguel adora pintá-las, mas em compensação, pinta tudo, a mesa, o chão. Ao colar os adesivos da Hurley na prancha, tem o maior cuidado. Samuel adora fazer artes na prancha também, mas o que gosta mesmo é de tirar parafina da prancha, deixar cair no chão e pisar. Assim, o quintal todo fica grudento. Nunca tem adesivo, pois não tem cuidado ao colar. Assim, pega tudo do irmão. Ambos pintam até legal. Nisso, puxaram a mamis. São verdadeiros artistas, mas na bagunça, puxaram o papis. (Risos)

Você também já se aventurou no surf?
Sim, gosto de surfar de bodyboard, com sol, mar pequeno, água quente. Não gosto de sofrimento. Para mim, surf é lazer. Com prancha, não deu muito certo. Meu professor, Wagner, parece marido quando está ensinando a mulher a dirigir. Então, era briga na certa. (Risos)

Como é o dia a dia de uma mãe que tem dois filhos atletas profissionais do surf?
Dois, não. São três filhos. Tenho minha princesa Dominik, que no surf, está indo devagar, pois a oportunidade para as meninas aqui no Brasil é péssima. Por isso, ela está até um pouco desmotivada, mas independente disso, surfa todos os dias. Olha, ninguém sabe, mas é muito puxado. Tenho que estar atenta a tudo: o emocional, físico, amoroso. Eu falo que sou psicóloga nas horas boas e ruins; cozinheira, pois comida boa e nutritiva não pode faltar; motorista, pois levo e busco no aeroporto e também nas competições; empresária, pois cuido de reservas de hotéis, passagens e contas a pagar; film maker… Ai de mim se perder aquele aéreo sobrenatural… É uma semana com a orelha queimando. Agora, você vai rir, porque também sou cabelereira. Eles só cortam o cabelo comigo. Sem contar que sou intercessora, oro muito a Deus, pois na verdade, quem está segurando a onda é Ele. Não consigo fazer tudo isso sozinha.

Quem se envolve mais, você ou o pai?
Eu me envolvo mais nestas questões, que falei na resposta anterior. O pai se envolve mais na orientação, na competição, nas manobras. Sempre veem as filmagens e avaliam o que estão precisando melhorar. Mas quero enfatizar que somos todos muito tementes a Deus. Jesus é tudo para nós. Vamos à igreja juntos, e eu creio que isso é que tem feito a diferença nas nossas vidas.

Miguel já faz parte da elite mundial do surf. Samuel sonha entrar nela e, mais que isso, quer disputar uma final com o irmão mais velho. Aqui, eles não competem, mas falam um sobre o outro.

Como é a relação entre vocês?
Miguel: É boa. Sempre tento dar tudo o que não tive para ele. A diferença de idade é grande, então, não temos brigas e, como ele se espelha em mim, sempre procuro dar um bom exemplo de irmão mais velho.

Samuel: Minha relação com o Miguel é muito forte. Aproveito muito quando ele está aqui. Fazemos nosso dia na praia e depois vemos nossas filmagens e damos risadas de nossas manobras aéreas.

Miguel, como se sente ao ver Samuel seguindo seus passos?
Miguel: Orgulhoso de ver que ele está seguindo por vontade própria e se dando muito bem. Samuel surfa porque gosta e não por causa de mim ou do meu pai. Só usa a gente como espelho.

Samuel, foi o Miguel que ensinou você a surfar?
Samuel: Meu pai me ensinou a subir na prancha e as manobras mais simples, mas quando eu cresci, meu irmão me ensinou a fazer as manobras radicais e aéreas.

Miguel, você ensinou muita coisa para o Samuel, mas tem algo que ele tenha ensinado a você?
Miguel: Aprendi com ele que eu sempre tenho que me assistir surfando. Após o surf, ele gruda na câmera e assiste a todas as filmagens em câmera lenta e analisa todos os erros e acertos. Isso nos ajuda bastante a evoluir.

Vencer a primeira competição profissional é um momento de alegria para um surfista. Agora, vencer a primeira competição profissional, sair no jornal na foto em cima do pódio, tudo isso no dia do seu aniversário, é mais motivo de alegria ainda. João Paulo de Abreu, vulgo “Passarinho”, venceu a categoria profissional da Primeira Etapa do Circuito ASBC PRO AM 2012 no Balneário Camboriú. Contra nomes como Caetano Vargas (2°), Jihad Khodr (3°) e o ex-top do WCT, Neco Padaratz (4°). Recebeu o único 10 do evento e ainda atingiu a maior nota de 19,60, batendo assim também o outro top do WTC, Marco Polo.

Samuel é uma das grandes promessas do surf brasileiro. Caçula de uma família de surfistas, o garoto-prodígio tem o irmão, Miguel (leia entrevista com ele aqui), integrante da elite mundial, como sua maior influência.
Conversamos com Samuca, e você confere esta entrevista exclusiva agora:

Além do seu irmão, quem são suas influências?
Minha irmã, Dominik, me ajuda muito nos meus campeonatos e meu pai me fala onde eu tenho que entrar no mar e as ondas boas que eu devo pegar.

Você ainda é jovem, mas tem grande potencial. Qual são suas expectativas na carreira?
Minha expectativa na carreira é algum dia competir no WT com meu irmão e disputar uma final juntos , além de ser o número um do WT.

Qual seu maior sonho?
Surfar pelo mundo e ser campeão mundial.

Quais seus picos preferidos?
Maresias é um deles, além de Baleia, Cambury, Paúba e Santiago.

Qual sua manobra preferida? Pode nos explicar como se realiza ela?
Com certeza, o aéreo, que é muito difícil de explicar. É uma manobra muito rápida, mas para realizar, você precisa de muita velocidade e muito treino.

Quais pranchas você usa? Quem é o shaper? E os tamanhos?
OHP Ohana Pupo. Meu pai que faz minhas pranchas, e todas são mágicas. O tamanho varia de 5,0 a 5,2, rabeta swalow, squash e raund.

Além de surfar, o que gosta de fazer?
Gosto de andar de skate para treinar as manobras, nadar na piscina, conversar com meus amigos e, de vez em quando, jogar meu Wii Resort.

Para você, quais são os melhores vídeos de surf?
Principalmente, os vídeos do meu irmão, que ele edita. Fico admirando suas manobras e, quando vou surfar, tento fazer igual, mas é muito difícil.

No próximo fim de semana, Miguel Pupo encara mais um desafio pelo WCT. A disputa, desta vez, rola em águas cariocas, e nós estaremos lá, torcendo pelo nosso atleta.

Antes, porém, Miguel bateu um papo com a gente, que você confere agora:

Quais são suas expectativas em relação ao World Tour 2012?
Me dar bem nas etapas de ondas pesadas e, quem sabe, fazer uma final ou vencer um dos eventos.

Além de fazer parte da elite mundial, que outros sonhos você tem?
Fazer parte de mais filmes de surf, ser campeão mundial e estampar uma capa de revista.

Quais seus picos preferidos?
Maresias e Paúba.

E a sua manobra preferida?
Tubo.

Quais pranchas você usa? Fale sobre elas.
Dependendo do mar, eu uso pranchas diferentes, mas minha prancha do dia a dia, quando estou em casa, é 5’11 shapeada pelo meu pai, Wagner.

Que atividades você desenvolve que servem para melhorar seu desempenho no surf?
Faço treino funcional com meu personal trainer, Arthur Vargas, e tenho acompanhamento médico e psicológico do Instituto Marazul.

Além de surfar, o que gosta de fazer pra passar o tempo?
Assisto TV, passo mais tempo com a namorada e jogo tênis.


Miguel e a namorada Tainá fazendo arte na prancha.

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